Para cartografar uma infância... qualquer outra infância!
"A infância como um outro não é o objeto (ou o objetivo) do saber, mas é algo que escapa a qualquer objetivação e que se desvia de qualquer objetivo..." Jorge Larrosa, em Pedagogia Profana.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Chico Buarque - João e Maria
segunda-feira, 12 de maio de 2008

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Alberto Caeiro + Tomie
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu
Chico Buarque + Bresson
sábado, 12 de abril de 2008

Discúlpame, perdóname para que puedas
Ofenderte otra vez
Enójate, castígame para que puedas
Quererme después...
Entrégate y ríndete para que puedas
Escaparte después
Libérate y suéltate para que puedas
Quererme otra vez
El círculo da la vuelta
Y al terminar, la vuelve a dar...
Hoy te quiero, mañana también
Pasado no, el año que viene creo que
Siempre te querré...
Kevin Johansen.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008

POR UM BRINCAR ANTIPEDAGÓGICO
Marcelo Cunha Bueno
Quando eu era pequeno, brincava com ossinhos do frango! Depois que me tornei professor, os ossinhos do frango se transformaram em giz de cera, tampa de canetinha, borracha... Cada um desses objetos adultos era um personagem inventado para colorir as manhãs e tardes de meus estudantes. Inventava histórias cheias de aventuras, em que a borracha era um terrível cientista que apagava as cores do mundo, o giz era um mágico que adorava inventar novos truques, o clips era uma roldana que, apoiada num barbante, deslizava pela sala de aula. Até hoje, meus estudantes ainda se lembram dessas histórias... Aqueles meninos e meninas, que hoje são enormes, sorriem para mim como aquelas crianças que assistiam às minhas histórias... Lembro-me de que, na sala de aula, esses materiais viviam sumindo, pois as crianças adoravam pegá-los e inventar histórias também! Havia espaço para os brinquedos plastificados, mas, quem dominava, eram os “brinquedos garatujas”, como costumo chamar: aqueles que parecem rabiscos, mas se tornam o que os seus olhos e imaginação querem ver! Era um “professor-brincador”!
Brincar é uma gostosura! Ao contrário do que muitos educadores dizem por aí, brincadeira não é trabalho. Brincadeira é brincadeira e ponto. Brincar na escola é uma delícia! Uma oportunidade fantástica para que a criança entre em contato com outros colegas e amplie seu repertório cultural e de jogos.
Adoro ver as crianças pequenas na escola! Gosto porque sinto ares poéticos nos espaços tão marcados pela geografia escolar. Elas transgridem qualquer regra do espaço. Fazem com que pensemos melhor nas utilidades que inventamos para as coisas.
Muitas escolas colocam a brincadeira em um lugar sério, de ciência. Elaborações de papéis, vivências de contextos sociais, elaboração de sentimentos e sensações... Por isso, pedagogizam esse momento com brincadeiras regradas, com horários e espaços marcados. A criança aprende a brincar seriamente, o professor ensina a aprender seriamente. Há gente que diz que brincadeira é “estímulo”, seguindo essa onda da brincadeira como “ciência do desenvolvimento da personalidade”. Inventam brinquedos educativos, como se houvesse algum brinquedo que não provocasse alguma ação educativa e cultural. Ninguém precisa do brinquedo repleto de cores, repleto de formas e propostas para aprender algo. Mas o mundo de hoje faz isso: inventa discursos apoiados em uma ciência médica para capturar as pessoas, nesse caso, pais, mães e educadores.
Essa concepção de estímulo é coisa para focas e leões do zoológico, para brinquedos de plástico, ou coisa que o valha. É coisa desse mundo cheio de contemporaneidades que nos confunde e nos faz acreditar que as coisas simples não têm valor. Havia uma criança na minha Escola que sempre chegava com brinquedos miudinhos ou pedacinhos de objetos que se transformavam em grandes companheiros de desafios e fantasias. Os melhores brinquedos não querem dizer nada com suas formas ou propostas, apenas existem na imaginação de cada um! Nenhuma criança precisa de brinquedos cheios de penduricalhos e de especialidades para ser feliz!
Aqui na Estilo de Aprender, a escola que coordeno, as crianças de dois anos brincam muito. No Quintal, na Quadra, com caixotes, tábuas, areia, vão à horta, dão comida aos bichos, brincam de bichinhos, de casinha, “artistam” nas folhas e pelas paredes, escutam música, conversam, cantam, dançam e nos ensinam a ver o mundo com olhares mais infantis... Isso é cultivar a infância como acontecimento, como algo que não está previsto e nem colocado em um lugar específico. Esse acontecimento não pode ser capturado pelos discursos da escola.
Brincar é transformar as posições que ocupamos, a de professor, a de mãe, a de pai. Brincar até sermos o que queremos ser... e mudar! Brincar para ler mundos, para inventá-los. Brincar porque é simplesmente bom demais!
Marcelo Cunha Bueno
Quando eu era pequeno, brincava com ossinhos do frango! Depois que me tornei professor, os ossinhos do frango se transformaram em giz de cera, tampa de canetinha, borracha... Cada um desses objetos adultos era um personagem inventado para colorir as manhãs e tardes de meus estudantes. Inventava histórias cheias de aventuras, em que a borracha era um terrível cientista que apagava as cores do mundo, o giz era um mágico que adorava inventar novos truques, o clips era uma roldana que, apoiada num barbante, deslizava pela sala de aula. Até hoje, meus estudantes ainda se lembram dessas histórias... Aqueles meninos e meninas, que hoje são enormes, sorriem para mim como aquelas crianças que assistiam às minhas histórias... Lembro-me de que, na sala de aula, esses materiais viviam sumindo, pois as crianças adoravam pegá-los e inventar histórias também! Havia espaço para os brinquedos plastificados, mas, quem dominava, eram os “brinquedos garatujas”, como costumo chamar: aqueles que parecem rabiscos, mas se tornam o que os seus olhos e imaginação querem ver! Era um “professor-brincador”!
Brincar é uma gostosura! Ao contrário do que muitos educadores dizem por aí, brincadeira não é trabalho. Brincadeira é brincadeira e ponto. Brincar na escola é uma delícia! Uma oportunidade fantástica para que a criança entre em contato com outros colegas e amplie seu repertório cultural e de jogos.
Adoro ver as crianças pequenas na escola! Gosto porque sinto ares poéticos nos espaços tão marcados pela geografia escolar. Elas transgridem qualquer regra do espaço. Fazem com que pensemos melhor nas utilidades que inventamos para as coisas.
Muitas escolas colocam a brincadeira em um lugar sério, de ciência. Elaborações de papéis, vivências de contextos sociais, elaboração de sentimentos e sensações... Por isso, pedagogizam esse momento com brincadeiras regradas, com horários e espaços marcados. A criança aprende a brincar seriamente, o professor ensina a aprender seriamente. Há gente que diz que brincadeira é “estímulo”, seguindo essa onda da brincadeira como “ciência do desenvolvimento da personalidade”. Inventam brinquedos educativos, como se houvesse algum brinquedo que não provocasse alguma ação educativa e cultural. Ninguém precisa do brinquedo repleto de cores, repleto de formas e propostas para aprender algo. Mas o mundo de hoje faz isso: inventa discursos apoiados em uma ciência médica para capturar as pessoas, nesse caso, pais, mães e educadores.
Essa concepção de estímulo é coisa para focas e leões do zoológico, para brinquedos de plástico, ou coisa que o valha. É coisa desse mundo cheio de contemporaneidades que nos confunde e nos faz acreditar que as coisas simples não têm valor. Havia uma criança na minha Escola que sempre chegava com brinquedos miudinhos ou pedacinhos de objetos que se transformavam em grandes companheiros de desafios e fantasias. Os melhores brinquedos não querem dizer nada com suas formas ou propostas, apenas existem na imaginação de cada um! Nenhuma criança precisa de brinquedos cheios de penduricalhos e de especialidades para ser feliz!
Aqui na Estilo de Aprender, a escola que coordeno, as crianças de dois anos brincam muito. No Quintal, na Quadra, com caixotes, tábuas, areia, vão à horta, dão comida aos bichos, brincam de bichinhos, de casinha, “artistam” nas folhas e pelas paredes, escutam música, conversam, cantam, dançam e nos ensinam a ver o mundo com olhares mais infantis... Isso é cultivar a infância como acontecimento, como algo que não está previsto e nem colocado em um lugar específico. Esse acontecimento não pode ser capturado pelos discursos da escola.
Brincar é transformar as posições que ocupamos, a de professor, a de mãe, a de pai. Brincar até sermos o que queremos ser... e mudar! Brincar para ler mundos, para inventá-los. Brincar porque é simplesmente bom demais!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
Lou Salomé...
terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Tudo Novo de Novo
Paulinho Moska
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Nem tudo é preto no branco na escola...
Nem tudo é linear, paralelo...
Tem o trans-prosa, trans-ente, o trans-verso, o avesso, o diverso e o converso!
Conversa de cores, pinturas. Conversa de sons, música. Conversa de palavras, textos. Conversa de adulto, chata. Conversa de criança, poeminha.
Nem tudo é preto no branco na escola. Nem tudo é esperado. Nem tudo é planejado. Nem tudo é medido. Nem pode... Escola é trança, transa e trama.
Nem tudo na escola é escola... Nem pode! Ainda bem!
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