
quarta-feira, 26 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008

Marcelo Cunha Bueno
Quando eu era pequeno, brincava com ossinhos do frango! Depois que me tornei professor, os ossinhos do frango se transformaram em giz de cera, tampa de canetinha, borracha... Cada um desses objetos adultos era um personagem inventado para colorir as manhãs e tardes de meus estudantes. Inventava histórias cheias de aventuras, em que a borracha era um terrível cientista que apagava as cores do mundo, o giz era um mágico que adorava inventar novos truques, o clips era uma roldana que, apoiada num barbante, deslizava pela sala de aula. Até hoje, meus estudantes ainda se lembram dessas histórias... Aqueles meninos e meninas, que hoje são enormes, sorriem para mim como aquelas crianças que assistiam às minhas histórias... Lembro-me de que, na sala de aula, esses materiais viviam sumindo, pois as crianças adoravam pegá-los e inventar histórias também! Havia espaço para os brinquedos plastificados, mas, quem dominava, eram os “brinquedos garatujas”, como costumo chamar: aqueles que parecem rabiscos, mas se tornam o que os seus olhos e imaginação querem ver! Era um “professor-brincador”!
Brincar é uma gostosura! Ao contrário do que muitos educadores dizem por aí, brincadeira não é trabalho. Brincadeira é brincadeira e ponto. Brincar na escola é uma delícia! Uma oportunidade fantástica para que a criança entre em contato com outros colegas e amplie seu repertório cultural e de jogos.
Adoro ver as crianças pequenas na escola! Gosto porque sinto ares poéticos nos espaços tão marcados pela geografia escolar. Elas transgridem qualquer regra do espaço. Fazem com que pensemos melhor nas utilidades que inventamos para as coisas.
Muitas escolas colocam a brincadeira em um lugar sério, de ciência. Elaborações de papéis, vivências de contextos sociais, elaboração de sentimentos e sensações... Por isso, pedagogizam esse momento com brincadeiras regradas, com horários e espaços marcados. A criança aprende a brincar seriamente, o professor ensina a aprender seriamente. Há gente que diz que brincadeira é “estímulo”, seguindo essa onda da brincadeira como “ciência do desenvolvimento da personalidade”. Inventam brinquedos educativos, como se houvesse algum brinquedo que não provocasse alguma ação educativa e cultural. Ninguém precisa do brinquedo repleto de cores, repleto de formas e propostas para aprender algo. Mas o mundo de hoje faz isso: inventa discursos apoiados em uma ciência médica para capturar as pessoas, nesse caso, pais, mães e educadores.
Essa concepção de estímulo é coisa para focas e leões do zoológico, para brinquedos de plástico, ou coisa que o valha. É coisa desse mundo cheio de contemporaneidades que nos confunde e nos faz acreditar que as coisas simples não têm valor. Havia uma criança na minha Escola que sempre chegava com brinquedos miudinhos ou pedacinhos de objetos que se transformavam em grandes companheiros de desafios e fantasias. Os melhores brinquedos não querem dizer nada com suas formas ou propostas, apenas existem na imaginação de cada um! Nenhuma criança precisa de brinquedos cheios de penduricalhos e de especialidades para ser feliz!
Aqui na Estilo de Aprender, a escola que coordeno, as crianças de dois anos brincam muito. No Quintal, na Quadra, com caixotes, tábuas, areia, vão à horta, dão comida aos bichos, brincam de bichinhos, de casinha, “artistam” nas folhas e pelas paredes, escutam música, conversam, cantam, dançam e nos ensinam a ver o mundo com olhares mais infantis... Isso é cultivar a infância como acontecimento, como algo que não está previsto e nem colocado em um lugar específico. Esse acontecimento não pode ser capturado pelos discursos da escola.
Brincar é transformar as posições que ocupamos, a de professor, a de mãe, a de pai. Brincar até sermos o que queremos ser... e mudar! Brincar para ler mundos, para inventá-los. Brincar porque é simplesmente bom demais!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Tudo Novo de Novo
Paulinho Moska
Vamos começar
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Nem tudo é preto no branco na escola...
Nem tudo é linear, paralelo...
Tem o trans-prosa, trans-ente, o trans-verso, o avesso, o diverso e o converso!
Conversa de cores, pinturas. Conversa de sons, música. Conversa de palavras, textos. Conversa de adulto, chata. Conversa de criança, poeminha.
Nem tudo é preto no branco na escola. Nem tudo é esperado. Nem tudo é planejado. Nem tudo é medido. Nem pode... Escola é trança, transa e trama.
Nem tudo na escola é escola... Nem pode! Ainda bem!
200, intermináveis, dias

quarta-feira, 7 de novembro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Preto no branco...esquinas de sombras cinzas.
Luz e sombra... pessoas com passos paranãoseionde.
Um túnel, uma passagem, passandando pela cidade.
Vai além, com pés em rodas, curvas em linhas.
Nãoseionde e nuncaestá, lugares a se ganhar.
Passosdados, descalçados emtimbrespegadas.
Assim caminha aquele que não quer chegar,
pela cidade que não quer estar.
Sujeidade.Cidajeito.Talvezeu.Esqueça.
Oneub ahnuc olecraM...
terça-feira, 16 de outubro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007

“Aos professores nos falta, talvez irremediavelmente, essa aristocracia de espírito, essa finura de espírito, essa leveza que ainda tinha o pensamento quando não era monopólio dos professores, quando ainda não se havia contaminado dessa austeridade pedagógica, moralizante, solene, dogmática e um tanto caspenta que é própria do tom professoral. Talvez tivéssemos de deixar de ser professores para aprender a formular um pensamento em cujo o interior ressoe, desembaraçadamente, o riso”. Jorge Larrosa...
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Pensar Escola...
Tantas imagens e representações...
Imposições maiores... das leis, referenciais, parâmetros, currículos, projetos, planejamentos... Imposições menores... dos olhares, dos gestos, das falas, das expectativas, da prestação de conta de sala de aula.
Como é possível transformar um espaço que se encontra – perdido – totalmente capturado por discursos de controle e de asujeitamentos?
Ações medidas, confinadas num pensar entorpecido pelas práticas exatas dos receituários de palestras, congressos e assessorias de formação em educações-show. O espetáculo da educação está por todas as partes! A Escola é prisioneira dos grandes ideais, dos grandes projetos, das grandes políticas. Esse espetáculo acontece justamente por termos medo de nos entregar ao estudo, de ler um livro de letras miúdas, por não querermos nos perder, sofrer instabilidades, desconcertos e incertezas. Facilitam a vida... mas empobrecem as relações. Profetas, magos, supereducadores estão por todas as partes afagando e acariciando as angústias e as cabeças dos tão sofridos professores. Professores precisam de estudo, não de consolo!
O que é preciso aprender na Escola? O que um professor pode aprender em uma escola? Pergunta gostosa de ser respondida!
Professor precisa se espalhar por culturas. Freqüentar museus, cinemas, exposições, teatros, ficar em casa lendo livros, assistindo a filmes. Precisa conversar com companheiros de trabalho e não falar de trabalho, precisa ver a escola com olhares mais descolados das obrigações docentes. Precisa ser escutado, de corpo e alma. Precisa ter um espaço dentro de sua Escola para criar, desenhar, rabiscar, pintar, dançar, cantar, ouvir, se emocionar... Precisa de espaço para relacionar e criar conceitos. Precisa se afastar das representações de escola. Apagar a escola. Afastar-se dela para poder habitá-la.
A educação exige espaços. Espaços múltiplos, leves, livres, fora... Territórios de passagem e desapegados do tempo escolarizado. Os habitantes desses espaços podem circular por conceitos fechados, ampliá-los com outros conceitos, idéias, imagens, sons... Podem inverter palavras, podem desenhar idéias, podem abrir a visão para ver as coisas com os olhos de outros lugares, que parecem não lhes pertencer.
Para habitar esses espaços, não é preciso bagagem, somente se abrir para a criação. Não é preciso receitas prontas, planejamentos semanais, boletins, relatórios, avaliações diagnósticas, apostilas... Criação como possibilidade de invenção, de resistência. A criação não é apenas criar algo novo a partir do velho ou do que já existia. Quando se fala em autoria em sala de aula, fala-se de resistência. O poeta-inventor cria outros espaços: não determinados, espaços marotos. Espaços ágeis que escapam aos discursos hierárquicos da Escola.
Criação e resistência como miragem. Imagens desfocadas do “fazer-pedagógico”. Imagens de paisagens educacionais que apenas alguns vêem. Imagens não projetadas, pois não podem ser focadas. Imagens geográficas...
Resistir em sala de aula quer dizer ir além do que o outro diz ou impõe como correto de ser feito-pensado. Resistir é criar outras possibilidades de entender os conteúdos fechados e prontos das metodologias do aprender. Resistir é se desapegar do futuro e do saber! Sim, do saber. Aquele templo montado em volta da escola que não permite ou admite erros ou escorregões. Não admite desculpas ou humildade. Não consegue andar sozinho, não admite solidão, sofrimento ou padecimento. Sabemos e conhecemos a pressão que os “saberes” nos colocam. Uma segurança – falsa – de estabilidade, de sucesso de futuro.
Resistir é criar, é criar exclamações!
Em escola, vive-se pouco o presente. Passado que acumula saberes e fazeres construindo futuros estares... Futuro não pode existir em Escola. O que importa para a criação ou resistência é se preocupar com o hoje, o agora, o aqui. O agora importa porque é único, um presente das possibilidades, da multiplicação. Momento de surpresas, momento que provoca sons que ecoam. Momentos de experiência! Não podemos ter isso vivendo no futuro. O aqui, pois só ele importa. Um espaço fronteiriço com possibilidades infinitas. Aqui e agora, presente e acontecimento, experiência e vida, potência e resistência...
Escola como espaços de trans-formações é a multiplicação de saberes... Saberes não marcados, mutantes frente às experiências de cada um. Trans-formação e estudos... Estudar é abrir-se para o hoje, para a criação, para o que nos passa e acontece... Estudar e desfrutar de saberes móveis, nômades, andarilhos. Saberes que, a cada olhar e palavra, modificam-se, assumem outras formas e composições. Pedem, clamam por associações e costuras. Precisam do outro para existir, resistir e criar... Criação é reticências...Reticências e exclamações...!!! Uma vida de pausas e sustos. Silêncio! A escola precisa de espaços silenciosos. Espaços sem argumentações teóricas, sem explicações para tudo o que lhe acontece. Precisa se calar um pouco. O silêncio abre incômodos, deixa expostos os corpos em suas idéias, faz com que procuremos olhares e encontremos cumplicidade. Silenciar, calar e interromper o diálogo com uma conversa de gestos, olhares e, principalmente, sensações...




