quarta-feira, 8 de abril de 2009

O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
DRUMMOND+bArCeLoNa

quinta-feira, 2 de abril de 2009


"Precisarei começar por lhes destruir os ouvidos para que aprendam a ouvir com os olhos?"

ZARATUSTRA-NIET+SOROLLA=SUSPIROS

quarta-feira, 25 de março de 2009


"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançarina."
ZARATUSTRA-NIET+KAFKA

quarta-feira, 18 de março de 2009


Árvore adentro

Cresceu em minha fronte uma árvore.
Cresceu para dentro.
Suas raízes são veias,
nervos suas ramas,
Sua confusa folhagem pensamentos.
Teus olhares a acendem
e seus frutos de sombras
são laranjas de sangue,
são granadas de luz.
Amanhece
na noite do corpo.
Ali dentro, em minha fronte,
a árvore fala.
Aproxima-te.
Ouves?

PAZ+ KAHLO

sexta-feira, 6 de março de 2009


Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro

Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo.

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarda um poema:

Por isso o lance do poema.

Por guarda-se o que se quer guardar.

CÍCERO+MATISSE POR BRESSON

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009




Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou tão certa, Terás então de ler de doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pregados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem que terá de chegar.
SARAMAGO+A CAVERNA+ SOROLLA+Um presente de uma amigaleitura

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



Se te pertenço, separo-me de mim.
Perco meu passo nos caminhos de terra
E de Dionísio sigo a carne, a ebriedade.
Se te pertenço, perco a luz e o nome
e a nitidez do olhar de todos os começos;
O que me parecia um desenho no eterno,
se te pertenço, é um acorde ilusório no silêncio.
E por isso, por perder o mundo,
separo-me de mim. Pelo absurdo.

HILST+ LAUTREC+uma amiga que é um poema

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Na beira de ti derrapei,
Esperando você me pegar
Ao fim, nas curvas parei
De novo sem poder passar.

O que te afasta de mim
Que não te deixa olhar
Será que é mesmo um fim
Ou só mais um jeito de entrar?

Quando derramo palavras em ti
Meus olhos sorriem em si.
Teus olhos nos meus são palavras
Ouvidas à beira do olhar.

Meu corpo espera tua mão,
teus toques, sem direção,
caminho para nenhum lugar
à espera de um dia chegar.

Você não me diz quem sou
Não sou sem você estar
Será que prefiro ficar
Nas margens do seu olhar?
DALI+GALA+EU

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


Voltar... ir de um lugar ao outro... partir. Permanecer em estado dançante enquanto vemos a - mesma e- diferente paisagem nos atravessar. Mesmo aqui, já estou de partida! Olá!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008



Um texto só é um texto se ele oculta ao primeiro olhar, ao primeiro encontro, a lei de sua composição e a regra de seu jogo. Um texto permanece, aliás, sempre imperceptível.

DERRIDA

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...

PESSOA+CALDER

quinta-feira, 9 de outubro de 2008


O tempo é a insônia da eternidade.
QUINTANA+TOULOUSE

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


O apanhador de desperdícios

Uso as palavras para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.

Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas.

Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim esse atraso de nascença.

Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.

Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.

BRESSON + BARROS = SUSPIROS

segunda-feira, 1 de setembro de 2008



Um menino... que insistimos em chamar de estudante... que habita uma escola... que filosofa pelo mundo... experimentando alguns pensamentos... jogando com eles. Esse menino tem 9 anos... eu aprendo com ele... a não ser escola, professor.